Among Treasurers
Inspiration, Knowledge, and Connection for Treasurers and Financial Leaders

4° Workshop IA para Tesouraria- Fluxo de Caixa
O fluxo de caixa é o processo mais votado, mais pedido e mais temido da tesouraria. Não porque seja difícil de entender — mas porque o caminho até ele é longo, manual e cheio de ruído.
No 4º workshop da série IA para Tesouraria, Allan Andrade mostrou na prática como usar o Claude para transformar arquivos dispersos em um fluxo de caixa estruturado, com cenários e alertas — sem copiar e colar nada.
O gargalo não é o fluxo. É o que vem antes.
Quando Allan perguntou ao grupo quanto tempo gastam para montar o fluxo de caixa, a resposta foi reveladora: quase ninguém perde tempo calculando. O tempo vai embora antes disso.
Extrato bancário em um formato. ERP em outro. Contas a pagar em planilha. Contas a receber em outro arquivo. Cada informação chega de um jeito diferente, com datas em formatos distintos, valores inconsistentes, duplicidades. E só depois de organizar, padronizar e consolidar tudo isso — o profissional começa a analisar.
"O gargalo não é construir o fluxo de caixa", disse Allan. "O gargalo é preparar as informações. E é justamente aí que a IA gera valor."
O que a IA faz — e o que continua sendo seu
Antes de entrar na prática, Allan foi direto em um ponto que reaparece em todos os workshops da série: a IA não substitui o tesoureiro.
Ela substitui as tarefas repetitivas. Organiza arquivos, padroniza dados, consolida informações, classifica movimentos, identifica inconsistências. Tudo isso com velocidade. Mas avaliar risco, priorizar pagamentos, tomar decisões — isso continua sendo trabalho do profissional.
"Ela prepara, nós analisamos. Ela organiza, nós decidimos. Essa é a combinação que gera produtividade."
Na prática: de arquivos bagunçados a fluxo estruturado
Para a demonstração, Allan usou uma empresa fictícia com quatro arquivos simulando o dia a dia real: dados do ERP, extrato bancário, contas a receber e contas a pagar — cada um em formato diferente, com inconsistências inseridas de propósito.
O prompt dado ao Claude foi direto: organizar e padronizar os arquivos, identificar o tipo de cada lançamento, padronizar datas e valores, classificar as movimentações por categoria e consolidar tudo em uma base única por data. E ao final, apontar as inconsistências encontradas.
O resultado: uma base consolidada, com duplicidades identificadas, datas corrigidas, valores padronizados e uma lista de inconsistências para revisão. Tudo com fórmulas vinculadas à base — não valores fixos.
A partir dessa base, Allan gerou um segundo prompt pedindo o fluxo de caixa direto de junho, estruturado por atividades operacionais, de investimento e de financiamento, com uma coluna por dia, total por período, saldo acumulado e alerta de gap de liquidez.
O Claude construiu o fluxo do zero — sem nenhum arquivo de fluxo de caixa como ponto de partida.
Cenários: otimista, base e pessimista
Com o fluxo montado, Allan foi um passo além e pediu uma comparação de cenários: base, otimista e pessimista, em abas separadas.
O cenário otimista considerou 10% de incremento nos recebimentos. O pessimista, redução de 20%. O base manteve as projeções originais. Tudo calculado com fórmulas vinculadas à base consolidada, permitindo que qualquer ajuste nos dados de origem atualize os três cenários automaticamente.
Esse é o tipo de análise que normalmente levaria horas — e que no workshop foi construída em minutos, a partir de um único prompt.
Automação: o próximo passo
Uma pergunta do grupo abriu uma conversa importante: dá para automatizar esse processo?
A resposta de Allan foi sim — e foi além. O mesmo fluxo demonstrado manualmente pode ser agendado para rodar diariamente, semanalmente ou mensalmente. Com os conectores certos, a IA busca os arquivos onde eles estão, processa e entrega o resultado por e-mail, direto para quem precisa.
Também é possível integrar variáveis macroeconômicas — CDI, dólar, euro — buscando automaticamente do Banco Central ou de uma base local, para que as projeções já considerem essas oscilações sem nenhuma intervenção manual.
Um recado para quem ainda não começou
Allan encerrou com o mesmo recado que repete em todos os workshops: se a sua empresa ainda não liberou ferramentas de IA, não fique parado.
Substitua os dados reais por dados fictícios. Aprenda o processo. Construa o fluxo com uma base anônima. Quando a governança corporativa evoluir, você já vai saber exatamente o que fazer — e vai sair na frente.
"A ideia é que vocês saiam daqui conseguindo aplicar isso hoje ou amanhã."

Banco, gestora, empresa: o que cada lado ensina sobre risco
Carlos Moreno, da Casa dos Ventos, fala sobre risco, hedge, e o que muda quando o tesoureiro sai do banco e vai para a economia real.
Tem uma frase que o Carlos Moreno solta quase de passagem durante a conversa, e que sintetiza a lógica de toda a sua carreira: caixa é oxigênio. Se falta, a empresa para de respirar. É um princípio simples, quase óbvio, mas que ganha peso quando dito por alguém que passou metade da carreira do lado do banco — estruturando funding, precificando risco, vendendo derivativo — e a outra metade aprendendo a olhar esse mesmo risco do lado de quem realmente sustenta a operação: a empresa.
Neste episódio do O Caixa é Rei, Douglas Oliveira recebe Carlos Moreno, head de Tesouraria e Risco da Casa dos Ventos. Engenheiro do ITA, mestre em Finanças pela London Business School, passagens por Itaú, Santander, JP Morgan e Standard Bank em São Paulo e Londres — e, depois de quase duas décadas no mercado financeiro, a travessia para a economia real. A conversa percorre essa trajetória não como linha do tempo, mas como camadas de aprendizado: o que cada cadeira ensinou sobre risco, sobre método e sobre o que de fato sustenta uma tesouraria.
O que fica é um retrato raro de um profissional que se recusa a ficar no lugar comum — e que defende, com a serenidade de quem já errou bastante, que tesouraria é gestão de balanço, é processo, é leitura macro e, sobretudo, é tradução.
Do ITA ao mercado financeiro: a lógica de quem pergunta por quê
Carlos começa pelo começo. O ITA, as oito cadeiras de matemática, o estágio no Itaú, o salto para o Santander logo na sequência. Lembra que, na sua geração, era natural o engenheiro ir para banco. O que parecia ser uma escolha de prateleira, no entanto, escondia uma vocação mais profunda: gostar de número, de problema e, principalmente, de entender de onde as coisas vêm.
É essa pergunta — de onde vem isso? — que vira fio condutor da carreira inteira. No JP Morgan de Londres, virou quase apelido. Em qualquer cadeira por onde passou, era a forma de não executar no automático. E é também o que ele recomenda para quem está começando: ser chato, perguntar até entender, não aceitar a resposta pronta. Para o engenheiro que vira tesoureiro, raciocínio crítico vale mais que qualquer fórmula decorada.
Por que sair do lugar comum
Quando Douglas pergunta o que ele aprendeu com a pluralidade de casas por onde passou — banco comercial, banco de investimento, banco de câmbio, gestora — Carlos é direto: o que mais o incomoda é o status quo. A cada cadeira, uma vez aprendido o que tinha para aprender e entregue o que tinha para entregar, vem a inquietação. Não pela grana, ele faz questão de marcar, mas pela necessidade de continuar agregando — para a empresa e para si mesmo.
Foi assim que migrou de risco de mercado para front office, de structured solutions para funding internacional, de produto sob medida para produto de prateleira em uma operação de banco de câmbio. Cada movimento somou skill, repertório de produto, rede de relacionamento. E, em um deles, a primeira experiência com gestão de pessoas — que ele descreve com honestidade: uma porrada no início para quem tem cabeça cartesiana, mas é assim que se aprende que dois e dois, no ser humano, dá cinco.
É uma defesa elegante da carreira não linear. Sair do lugar comum é um risco que se compra. Ficar onde está, na maioria das vezes, é o caminho mais fácil — e o que menos ensina.
MBA, maturidade e o tempo que não volta
O mestrado em Londres aparece como uma decisão consciente de fundamento. Carlos sentia que faltava base sólida em finanças — ele sabia operar, mas queria entender de onde vinha cada peça do Lego. Escolheu London Business School pelo nível, pelo networking, pela imersão. E faz uma reflexão valiosa sobre timing: não existe fórmula, mas existe maturidade. Não etária, mas a capacidade de chegar sabendo o que se quer extrair daquela experiência.
Hoje, olhando para trás, ele faria algumas eletivas diferentes — trocaria parte do conteúdo ultra quant por algo mais voltado a negócio e liderança. Mas não se arrepende: o tempo é o ativo mais escasso, e MBA mal aproveitado é tempo jogado fora. Para quem pensa em fazer, o recado é claro: tem que ter maturidade, disponibilidade e vontade. Sem os três, vira presença.
ALM, método e o hedge que ninguém quer fazer na hora certa
Quando a conversa entra em ALM — asset liability management — Carlos abre uma das partes mais densas do episódio. Tesouraria é gestão de balanço. Não dá para fazer hedge sem ter, antes, o mapa correto das exposições. E esse mapa só existe se a tesouraria for, de fato, transversal: conversar com quem está importando máquina, com quem estrutura dívida, com quem cuida do planejamento, com quem desenha o hedge accounting para evitar volatilidade artificial no resultado.
Sobre instrumentos, ele defende a simplicidade. NDF e opção resolvem a maior parte do trabalho de um importador ou exportador — desde que combinados com método. E é aí que mora o ponto mais provocativo: muita gente só começa a fazer hedge quando o dólar já está explodindo. Deveria ser o contrário. Quando o dólar cai, o importador acelera; quando sobe, o exportador trava. O hedge é seguro, e seguro se contrata antes do sinistro, não depois.
Há também o componente comportamental: hedge bem feito pode parecer prejuízo quando se olha só para o derivativo. Mas o que se perde no instrumento, se ganha no objeto — e vice-versa. O trabalho do tesoureiro é justamente sair da aposta, travar a oscilação e, sobretudo, comunicar internamente que proteção é resultado, não custo.
Banco x economia real: o mesmo risco, outra língua
A pergunta inevitável: o que muda quando o profissional de risco sai do banco e vai para uma empresa? Carlos é cirúrgico. Em fundamento, risco é risco. O que muda é o tipo de exposição, a complexidade e, sobretudo, a língua que se fala dentro de casa.
No banco, todo mundo fala a mesma língua. NDF, swap, hedge accounting, ajuste diário — tudo natural. Na empresa, é preciso traduzir. E, antes de traduzir, é preciso muitas vezes estruturar do zero: política, processo, governança, parâmetros, autonomia para o tesoureiro executar dentro de limites bem definidos. O maior desafio da travessia, na visão dele, é menos técnico e mais educacional. É convencer, didatizar, mostrar para áreas não financeiras por que aquele hedge importa.
Ele cita a brincadeira com a esposa, dentista, como termômetro: se ela entendeu a explicação, está didático o suficiente. É um teste simples, mas que muito tesoureiro técnico ignora — e paga o preço em comitê.
Quem passou pelo banco negocia diferente
Quando Douglas pergunta o que ele recomendaria a quem pensa em fazer essa travessia, Carlos é taxativo: passar por banco é uma vantagem que dificilmente se constrói por outro caminho. Não pela técnica em si, mas porque você aprende a entender os custos do banco. Sabe quanto vale o funding, sabe como o capital é alocado, sabe por que cada banco tem um apetite diferente em cada momento do ciclo.
Resultado prático: na hora de negociar, não precisa pedir preço para botar. Já sabe qual é o preço justo. Sabe onde dá para apertar e onde não faz sentido brigar. Negociação vira técnica, não feeling. E, importante, ele faz questão de marcar: não é sobre ser o cara chato que chora taxa. É sobre construir relação longeva, em que os dois lados saem bem. O banco percebe rápido quem é quem.
O caminho inverso, ele lembra, também acontece — e funciona. Mas a passagem pelo banco dá um chip de negociação técnica que se carrega para sempre.
Ambiente regulado: trava ou liberdade para criar?
Mercado financeiro e setor elétrico têm algo em comum: regulação pesada em todas as camadas. Para muita gente, isso é sinônimo de trava. Carlos defende o contrário. Quando a norma é clara e o arcabouço é inteligente, há espaço enorme para criar — desde que se conheça a regra a fundo. O Banco Central brasileiro, com Pix, SPB, TED, é exemplo de regulação que sustenta solidez e, ao mesmo tempo, permite inovação. O mercado livre de energia caminha por lógica parecida: abrir, democratizar, sem perder o controle.
O ponto contraintuitivo é esse: ambiente regulado não tira a liberdade de empreender. Pelo contrário, dá clareza de onde a oportunidade está. Quem conhece a norma, conecta os pontos.
Caixa é oxigênio
No fim, voltando ao nome do podcast, Douglas pergunta quando o caixa virou, de fato, princípio. A resposta de Carlos vem carregada de viés de risco — e ele próprio reconhece isso com graça. Caixa é oxigênio. Empresa também precisa de reserva de emergência, num horizonte longo o suficiente para atravessar o ciclo. Não basta olhar EBITDA: tem que olhar o caixa operacional, a alavancagem, a curva de juros, o setor, o estágio do investimento.
Ele lembra Lehman, lembra a explosão do dólar para 6,30, lembra que risco de liquidez muitas vezes nasce de risco de mercado — e que tesouraria existe justamente para antecipar esses cenários. Não para adivinhar. Para ter método.
O episódio é um convite para quem está em qualquer ponta dessa cadeia: começando carreira, pensando em mestrado, avaliando a travessia do banco para a empresa, ou simplesmente tentando estruturar uma política de risco que faça sentido. Carlos entrega princípios, não receita. E, no caminho, mostra que o tesoureiro que cresce de verdade é o que pergunta por quê, sai do lugar comum e aprende a falar a língua de quem está do outro lado da mesa.
Sobre o convidado
Head de Tesouraria e Risco da Casa dos Ventos. Engenheiro formado pelo ITA, com mestrado em Finanças pela London Business School, construiu carreira sólida no mercado financeiro — passando por Itaú, Santander, JP Morgan e Standard Bank, em São Paulo e Londres — antes de migrar para a tesouraria corporativa.
🎧 Ouça o episódio completo:
O Caixa é Rei é um projeto da Datanomik com apoio da AFP Brasil. Criamos pontes entre profissionais de finanças e tesouraria para compartilhar experiências que inspiram e transformam.

Além da tesouraria: como o caixa prepara o líder de finanças
Neste episódio, Roberto Toffano, fala sobre o que a tesouraria ensina e o que ela não ensina a quem quer liderar finanças de forma mais ampla.
Há uma frase que atravessa toda a conversa com Roberto Toffano e que poderia muito bem servir de epígrafe para qualquer profissional de finanças: não queira saber um pouquinho de tudo. A provocação, dita quase no fim do episódio, resume a filosofia de carreira de um executivo que construiu trajetória em empresas como Itaú, Usiminas e, hoje, Stellantis Locadora, atravessando setores tão distintos quanto mineração, siderurgia, logística e automotivo.
Carioca aminerado em Belo Horizonte, Toffano conversa com Douglas Oliveira sobre o que aprendeu ao migrar de uma cadeira historicamente associada ao caixa, ao câmbio e à dívida para uma posição financeira mais generalista, com responsabilidade sobre o resultado da companhia. O fio condutor do episódio é a transição — nem sempre óbvia, raramente fácil — entre ser um especialista de tesouraria e assumir o papel de líder financeiro de um negócio.
O resultado é uma conversa densa sobre formação, relacionamento, gestão de risco e, principalmente, sobre o que diferencia o profissional que cresce daquele que estaciona na profundidade do próprio dia a dia.
A mesa como porta de entrada — e o tecniquês como armadilha
Toffano começou em finanças quase por acaso. Veio do comercial de varejo do Itaú, onde aprendeu que cada cliente é único e que finanças, no fundo, é relacionamento. O trainee na Usiminas o levou para a mesa de operações, onde passou um tempo significativo operando câmbio, derivativos e aplicações.
É um caminho que se repete entre tesoureiros experientes — e Toffano explica por quê. A mesa entrega uma visão de risco difícil de conseguir em outro lugar: câmbio, commodities, juros, exposição a instituições financeiras. Para quem vai trabalhar com tesouraria corporativa, é um laboratório de variáveis que afetam o caixa em tempo real.
Mas há uma contrapartida pouco discutida. O tecniquês, alerta ele, pode se tornar uma barreira. Falar de NDF, swap e cupom cambial é parte do ofício, mas o profissional que não traduz isso para as demais áreas perde capacidade de influenciar o negócio. A mesa forma, mas também isola — e cabe ao tesoureiro fazer a ponte.
De cadeia de valor a cadeia de aprendizado
Olhando para trás, Toffano percebe que seus setores foram um acaso geográfico transformado em complementaridade rara. Mineração, siderurgia, logística e, agora, automotivo: a cadeia de valor inteira, vista pelos olhos da tesouraria.
Cada elo trouxe um risco específico. O preço do minério. O combustível na logística. O efeito de tudo isso na produção de um veículo. Para um profissional de finanças, ter atravessado essa cadeia é mais do que currículo — é um mapa mental sobre como o dinheiro circula entre setores, como as variáveis macro se traduzem em decisões de capital de giro e como uma multinacional gerencia risco em diferentes camadas da cadeia produtiva.
É também o tipo de bagagem que dá densidade à conversa quando o assunto deixa de ser tesouraria e passa a ser estratégia financeira.
Mestrado profissional: por que sair da bolha das finanças
A escolha de Toffano por um mestrado profissional na Fundação Dom Cabral, em vez de um programa tradicional em finanças, soa contraintuitiva — e é justamente esse o ponto. Depois de anos com CFOs, diretores e gerentes como professores informais dentro das empresas, ele buscou algo diferente: ampliar a visão para liderança, estratégia, finanças verdes, agenda social.
Há também uma reflexão importante sobre o timing dessas decisões. Fazer um MBA aos 26 anos, recém-formado, com pouca bagagem para criticar o que se aprende, entrega menos valor do que esperar a maturidade profissional. Quem já tem espinha dorsal de carreira chega à sala de aula com perguntas reais, casos vividos e capacidade de testar conceitos contra a própria experiência.
Toffano e Douglas convergem nesse ponto: o título importa menos que o conhecimento. E o conhecimento, para gerar retorno, precisa encontrar um profissional preparado para absorvê-lo.
A tesouraria como área do "como", não do "não"
Um dos momentos mais provocadores do episódio é quando Toffano contesta um estereótipo conhecido: o de que finanças é a área do não. Pior — o de que a tesouraria é a área que freia.
A inversão que ele defende é simples e poderosa. Em vez de bloquear, a tesouraria deveria responder ao "como". Como financiar a compra do novo equipamento? Como estruturar o capital para um projeto que vai gerar resultado por dez anos? Como casar custo de capital com potencial de retorno do ativo?
Essa cabeça de business partner — termo que ele credita ao colega Paulo Oliveira — muda completamente a relação com áreas comerciais, de marketing e operações. O tesoureiro deixa de ser o guardião do orçamento e passa a ser o arquiteto financeiro do crescimento. É uma mudança de postura que exige comunicação, abertura e disposição para entrar no negócio em vez de se proteger atrás do tecniquês.
O que falta ao tesoureiro virar CFO
Quando Douglas pergunta o que Toffano não sabia antes de assumir uma posição mais generalista, a resposta é honesta: não sabia que planejamento financeiro era tão interessante, nem que contabilidade era tão profunda. O reconhecimento traz uma lição embutida.
A kriptonita do tesoureiro, segundo ele, é o risco de mercado — não o risco de mercado financeiro, com o qual o tesoureiro convive diariamente, mas o risco setorial, o risco do negócio em si. Quem passa a vida olhando câmbio, juros e commodities pode subestimar variáveis operacionais, comerciais ou regulatórias que decidem o futuro da companhia.
É um ponto delicado porque a rotina da tesouraria é absorvente. O volume de operações, a velocidade das decisões e a necessidade de resposta imediata podem aprisionar o profissional numa lente de curto prazo. E é justamente essa lente que precisa ser ampliada quando se assume a cadeira do resultado.
Toffano e Douglas convergem ainda em uma outra observação. O profissional de tesouraria tende a uma rotatividade menor do que os de FP&A e controladoria — talvez justamente porque olha menos para fora. Menos exposição, menos oportunidades. A receita de saída, então, é deliberada: ser intencional, vocalizar o desejo de transição, buscar exposição.
Relacionamento bancário com método — não com glamour
Há um trecho do episódio que merece destaque para qualquer profissional de tesouraria, em qualquer porte de empresa. Toffano insiste que o relacionamento bancário é, sim, glamouroso — e isso é parte da sedução perigosa. Sentar com um banco para fazer um negócio de um ano é fácil. Construir um relacionamento que sobreviva a três, cinco, dez anos exige outra coisa.
Exige método. Exige enviar balanço, marcar café, mostrar a operação ao analista de crédito, dar visibilidade ao officer quando não há nada para pedir. Exige construir confiança nas pequenas coisas, para que ela esteja disponível nos momentos difíceis. Para empresas de médio porte que ainda não acessam o mercado de capitais, esse é um diferencial competitivo silencioso — e barato.
Douglas reforça com uma confissão de orgulho: tem officers com quem trabalha há dez anos, em empresas que nem existem mais. O ponto é o mesmo. Relacionamento é ativo, e ativo precisa ser cuidado com disciplina.
O caixa decide — e a pandemia provou
Quando perguntado sobre o momento em que percebeu que o caixa, no fim, é o que decide tudo, Toffano não hesita. A pandemia. Foi ali, com mecanismos de colchão de liquidez, revolving credit facilities e relacionamento de crédito bem construído, que a tesouraria mostrou para que serve. Empregos foram preservados, negócios continuaram de pé, e tudo aquilo que parecia teoria virou prática urgente.
É o tipo de aprendizado que não cabe num MBA. É a confirmação de que tesouraria bem feita não é despesa — é seguro. E que o profissional que entende isso carrega, para qualquer cadeira futura, uma sensibilidade que CFOs vindos exclusivamente de controladoria ou FP&A talvez precisem aprender no susto.
Profundidade como projeto de carreira
O fechamento do episódio é quase um manifesto. Toffano olha para a geração que está chegando — ansiosa, exposta à inteligência artificial, tentada por respostas rápidas — e oferece um conselho contraintuitivo: especialize-se. Não queira saber um pouco de tudo. Encontre algo que faça o olho brilhar e vá fundo.
A IA, segundo ele, é poderosa, mas sedutora. Pode entregar uma falsa profundidade, uma resposta que parece completa mas não sustenta cinco porquês de pressão. O profissional que delega o raciocínio perde a capacidade crítica. O que usa como ferramenta de produtividade, ganha alavancagem.
Não ser raso, no fim, é o que separa o profissional que cresce do que estaciona. E talvez seja essa a melhor síntese da conversa: a tesouraria pode até ser a escola, mas é a profundidade — técnica, relacional, de risco e de negócio — que define quem chega ao topo.
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Na Linha do Caixa
Quando a economia fala, o caixa escuta.
Leituras semanais do cenário econômico com impacto direto na tesouraria.
O Caixa é Rei
O podcast da Datanomik.
Conversas diretas com quem vive o caixa todos os dias.
Sem teoria, sem filtro, só prática.

Banco, gestora, empresa: o que cada lado ensina sobre risco
Tem uma frase que o Carlos Moreno solta quase de passagem durante a conversa, e que sintetiza a lógica de toda a sua carreira: caixa é oxigênio. Se falta, a empresa para de respirar. É um princípio simples, quase óbvio, mas que ganha peso quando dito por alguém que passou metade da carreira do lado do banco — estruturando funding, precificando risco, vendendo derivativo — e a outra metade aprendendo a olhar esse mesmo risco do lado de quem realmente sustenta a operação: a empresa.
Neste episódio do O Caixa é Rei, Douglas Oliveira recebe Carlos Moreno, head de Tesouraria e Risco da Casa dos Ventos. Engenheiro do ITA, mestre em Finanças pela London Business School, passagens por Itaú, Santander, JP Morgan e Standard Bank em São Paulo e Londres — e, depois de quase duas décadas no mercado financeiro, a travessia para a economia real. A conversa percorre essa trajetória não como linha do tempo, mas como camadas de aprendizado: o que cada cadeira ensinou sobre risco, sobre método e sobre o que de fato sustenta uma tesouraria.
O que fica é um retrato raro de um profissional que se recusa a ficar no lugar comum — e que defende, com a serenidade de quem já errou bastante, que tesouraria é gestão de balanço, é processo, é leitura macro e, sobretudo, é tradução.
Do ITA ao mercado financeiro: a lógica de quem pergunta por quê
Carlos começa pelo começo. O ITA, as oito cadeiras de matemática, o estágio no Itaú, o salto para o Santander logo na sequência. Lembra que, na sua geração, era natural o engenheiro ir para banco. O que parecia ser uma escolha de prateleira, no entanto, escondia uma vocação mais profunda: gostar de número, de problema e, principalmente, de entender de onde as coisas vêm.
É essa pergunta — de onde vem isso? — que vira fio condutor da carreira inteira. No JP Morgan de Londres, virou quase apelido. Em qualquer cadeira por onde passou, era a forma de não executar no automático. E é também o que ele recomenda para quem está começando: ser chato, perguntar até entender, não aceitar a resposta pronta. Para o engenheiro que vira tesoureiro, raciocínio crítico vale mais que qualquer fórmula decorada.
Por que sair do lugar comum
Quando Douglas pergunta o que ele aprendeu com a pluralidade de casas por onde passou — banco comercial, banco de investimento, banco de câmbio, gestora — Carlos é direto: o que mais o incomoda é o status quo. A cada cadeira, uma vez aprendido o que tinha para aprender e entregue o que tinha para entregar, vem a inquietação. Não pela grana, ele faz questão de marcar, mas pela necessidade de continuar agregando — para a empresa e para si mesmo.
Foi assim que migrou de risco de mercado para front office, de structured solutions para funding internacional, de produto sob medida para produto de prateleira em uma operação de banco de câmbio. Cada movimento somou skill, repertório de produto, rede de relacionamento. E, em um deles, a primeira experiência com gestão de pessoas — que ele descreve com honestidade: uma porrada no início para quem tem cabeça cartesiana, mas é assim que se aprende que dois e dois, no ser humano, dá cinco.
É uma defesa elegante da carreira não linear. Sair do lugar comum é um risco que se compra. Ficar onde está, na maioria das vezes, é o caminho mais fácil — e o que menos ensina.
MBA, maturidade e o tempo que não volta
O mestrado em Londres aparece como uma decisão consciente de fundamento. Carlos sentia que faltava base sólida em finanças — ele sabia operar, mas queria entender de onde vinha cada peça do Lego. Escolheu London Business School pelo nível, pelo networking, pela imersão. E faz uma reflexão valiosa sobre timing: não existe fórmula, mas existe maturidade. Não etária, mas a capacidade de chegar sabendo o que se quer extrair daquela experiência.
Hoje, olhando para trás, ele faria algumas eletivas diferentes — trocaria parte do conteúdo ultra quant por algo mais voltado a negócio e liderança. Mas não se arrepende: o tempo é o ativo mais escasso, e MBA mal aproveitado é tempo jogado fora. Para quem pensa em fazer, o recado é claro: tem que ter maturidade, disponibilidade e vontade. Sem os três, vira presença.
ALM, método e o hedge que ninguém quer fazer na hora certa
Quando a conversa entra em ALM — asset liability management — Carlos abre uma das partes mais densas do episódio. Tesouraria é gestão de balanço. Não dá para fazer hedge sem ter, antes, o mapa correto das exposições. E esse mapa só existe se a tesouraria for, de fato, transversal: conversar com quem está importando máquina, com quem estrutura dívida, com quem cuida do planejamento, com quem desenha o hedge accounting para evitar volatilidade artificial no resultado.
Sobre instrumentos, ele defende a simplicidade. NDF e opção resolvem a maior parte do trabalho de um importador ou exportador — desde que combinados com método. E é aí que mora o ponto mais provocativo: muita gente só começa a fazer hedge quando o dólar já está explodindo. Deveria ser o contrário. Quando o dólar cai, o importador acelera; quando sobe, o exportador trava. O hedge é seguro, e seguro se contrata antes do sinistro, não depois.
Há também o componente comportamental: hedge bem feito pode parecer prejuízo quando se olha só para o derivativo. Mas o que se perde no instrumento, se ganha no objeto — e vice-versa. O trabalho do tesoureiro é justamente sair da aposta, travar a oscilação e, sobretudo, comunicar internamente que proteção é resultado, não custo.
Banco x economia real: o mesmo risco, outra língua
A pergunta inevitável: o que muda quando o profissional de risco sai do banco e vai para uma empresa? Carlos é cirúrgico. Em fundamento, risco é risco. O que muda é o tipo de exposição, a complexidade e, sobretudo, a língua que se fala dentro de casa.
No banco, todo mundo fala a mesma língua. NDF, swap, hedge accounting, ajuste diário — tudo natural. Na empresa, é preciso traduzir. E, antes de traduzir, é preciso muitas vezes estruturar do zero: política, processo, governança, parâmetros, autonomia para o tesoureiro executar dentro de limites bem definidos. O maior desafio da travessia, na visão dele, é menos técnico e mais educacional. É convencer, didatizar, mostrar para áreas não financeiras por que aquele hedge importa.
Ele cita a brincadeira com a esposa, dentista, como termômetro: se ela entendeu a explicação, está didático o suficiente. É um teste simples, mas que muito tesoureiro técnico ignora — e paga o preço em comitê.
Quem passou pelo banco negocia diferente
Quando Douglas pergunta o que ele recomendaria a quem pensa em fazer essa travessia, Carlos é taxativo: passar por banco é uma vantagem que dificilmente se constrói por outro caminho. Não pela técnica em si, mas porque você aprende a entender os custos do banco. Sabe quanto vale o funding, sabe como o capital é alocado, sabe por que cada banco tem um apetite diferente em cada momento do ciclo.
Resultado prático: na hora de negociar, não precisa pedir preço para botar. Já sabe qual é o preço justo. Sabe onde dá para apertar e onde não faz sentido brigar. Negociação vira técnica, não feeling. E, importante, ele faz questão de marcar: não é sobre ser o cara chato que chora taxa. É sobre construir relação longeva, em que os dois lados saem bem. O banco percebe rápido quem é quem.
O caminho inverso, ele lembra, também acontece — e funciona. Mas a passagem pelo banco dá um chip de negociação técnica que se carrega para sempre.
Ambiente regulado: trava ou liberdade para criar?
Mercado financeiro e setor elétrico têm algo em comum: regulação pesada em todas as camadas. Para muita gente, isso é sinônimo de trava. Carlos defende o contrário. Quando a norma é clara e o arcabouço é inteligente, há espaço enorme para criar — desde que se conheça a regra a fundo. O Banco Central brasileiro, com Pix, SPB, TED, é exemplo de regulação que sustenta solidez e, ao mesmo tempo, permite inovação. O mercado livre de energia caminha por lógica parecida: abrir, democratizar, sem perder o controle.
O ponto contraintuitivo é esse: ambiente regulado não tira a liberdade de empreender. Pelo contrário, dá clareza de onde a oportunidade está. Quem conhece a norma, conecta os pontos.
Caixa é oxigênio
No fim, voltando ao nome do podcast, Douglas pergunta quando o caixa virou, de fato, princípio. A resposta de Carlos vem carregada de viés de risco — e ele próprio reconhece isso com graça. Caixa é oxigênio. Empresa também precisa de reserva de emergência, num horizonte longo o suficiente para atravessar o ciclo. Não basta olhar EBITDA: tem que olhar o caixa operacional, a alavancagem, a curva de juros, o setor, o estágio do investimento.
Ele lembra Lehman, lembra a explosão do dólar para 6,30, lembra que risco de liquidez muitas vezes nasce de risco de mercado — e que tesouraria existe justamente para antecipar esses cenários. Não para adivinhar. Para ter método.
O episódio é um convite para quem está em qualquer ponta dessa cadeia: começando carreira, pensando em mestrado, avaliando a travessia do banco para a empresa, ou simplesmente tentando estruturar uma política de risco que faça sentido. Carlos entrega princípios, não receita. E, no caminho, mostra que o tesoureiro que cresce de verdade é o que pergunta por quê, sai do lugar comum e aprende a falar a língua de quem está do outro lado da mesa.
Sobre o convidado
Head de Tesouraria e Risco da Casa dos Ventos. Engenheiro formado pelo ITA, com mestrado em Finanças pela London Business School, construiu carreira sólida no mercado financeiro — passando por Itaú, Santander, JP Morgan e Standard Bank, em São Paulo e Londres — antes de migrar para a tesouraria corporativa.
🎧 Ouça o episódio completo:
O Caixa é Rei é um projeto da Datanomik com apoio da AFP Brasil. Criamos pontes entre profissionais de finanças e tesouraria para compartilhar experiências que inspiram e transformam.

Além da tesouraria: como o caixa prepara o líder de finanças
Há uma frase que atravessa toda a conversa com Roberto Toffano e que poderia muito bem servir de epígrafe para qualquer profissional de finanças: não queira saber um pouquinho de tudo. A provocação, dita quase no fim do episódio, resume a filosofia de carreira de um executivo que construiu trajetória em empresas como Itaú, Usiminas e, hoje, Stellantis Locadora, atravessando setores tão distintos quanto mineração, siderurgia, logística e automotivo.
Carioca aminerado em Belo Horizonte, Toffano conversa com Douglas Oliveira sobre o que aprendeu ao migrar de uma cadeira historicamente associada ao caixa, ao câmbio e à dívida para uma posição financeira mais generalista, com responsabilidade sobre o resultado da companhia. O fio condutor do episódio é a transição — nem sempre óbvia, raramente fácil — entre ser um especialista de tesouraria e assumir o papel de líder financeiro de um negócio.
O resultado é uma conversa densa sobre formação, relacionamento, gestão de risco e, principalmente, sobre o que diferencia o profissional que cresce daquele que estaciona na profundidade do próprio dia a dia.
A mesa como porta de entrada — e o tecniquês como armadilha
Toffano começou em finanças quase por acaso. Veio do comercial de varejo do Itaú, onde aprendeu que cada cliente é único e que finanças, no fundo, é relacionamento. O trainee na Usiminas o levou para a mesa de operações, onde passou um tempo significativo operando câmbio, derivativos e aplicações.
É um caminho que se repete entre tesoureiros experientes — e Toffano explica por quê. A mesa entrega uma visão de risco difícil de conseguir em outro lugar: câmbio, commodities, juros, exposição a instituições financeiras. Para quem vai trabalhar com tesouraria corporativa, é um laboratório de variáveis que afetam o caixa em tempo real.
Mas há uma contrapartida pouco discutida. O tecniquês, alerta ele, pode se tornar uma barreira. Falar de NDF, swap e cupom cambial é parte do ofício, mas o profissional que não traduz isso para as demais áreas perde capacidade de influenciar o negócio. A mesa forma, mas também isola — e cabe ao tesoureiro fazer a ponte.
De cadeia de valor a cadeia de aprendizado
Olhando para trás, Toffano percebe que seus setores foram um acaso geográfico transformado em complementaridade rara. Mineração, siderurgia, logística e, agora, automotivo: a cadeia de valor inteira, vista pelos olhos da tesouraria.
Cada elo trouxe um risco específico. O preço do minério. O combustível na logística. O efeito de tudo isso na produção de um veículo. Para um profissional de finanças, ter atravessado essa cadeia é mais do que currículo — é um mapa mental sobre como o dinheiro circula entre setores, como as variáveis macro se traduzem em decisões de capital de giro e como uma multinacional gerencia risco em diferentes camadas da cadeia produtiva.
É também o tipo de bagagem que dá densidade à conversa quando o assunto deixa de ser tesouraria e passa a ser estratégia financeira.
Mestrado profissional: por que sair da bolha das finanças
A escolha de Toffano por um mestrado profissional na Fundação Dom Cabral, em vez de um programa tradicional em finanças, soa contraintuitiva — e é justamente esse o ponto. Depois de anos com CFOs, diretores e gerentes como professores informais dentro das empresas, ele buscou algo diferente: ampliar a visão para liderança, estratégia, finanças verdes, agenda social.
Há também uma reflexão importante sobre o timing dessas decisões. Fazer um MBA aos 26 anos, recém-formado, com pouca bagagem para criticar o que se aprende, entrega menos valor do que esperar a maturidade profissional. Quem já tem espinha dorsal de carreira chega à sala de aula com perguntas reais, casos vividos e capacidade de testar conceitos contra a própria experiência.
Toffano e Douglas convergem nesse ponto: o título importa menos que o conhecimento. E o conhecimento, para gerar retorno, precisa encontrar um profissional preparado para absorvê-lo.
A tesouraria como área do "como", não do "não"
Um dos momentos mais provocadores do episódio é quando Toffano contesta um estereótipo conhecido: o de que finanças é a área do não. Pior — o de que a tesouraria é a área que freia.
A inversão que ele defende é simples e poderosa. Em vez de bloquear, a tesouraria deveria responder ao "como". Como financiar a compra do novo equipamento? Como estruturar o capital para um projeto que vai gerar resultado por dez anos? Como casar custo de capital com potencial de retorno do ativo?
Essa cabeça de business partner — termo que ele credita ao colega Paulo Oliveira — muda completamente a relação com áreas comerciais, de marketing e operações. O tesoureiro deixa de ser o guardião do orçamento e passa a ser o arquiteto financeiro do crescimento. É uma mudança de postura que exige comunicação, abertura e disposição para entrar no negócio em vez de se proteger atrás do tecniquês.
O que falta ao tesoureiro virar CFO
Quando Douglas pergunta o que Toffano não sabia antes de assumir uma posição mais generalista, a resposta é honesta: não sabia que planejamento financeiro era tão interessante, nem que contabilidade era tão profunda. O reconhecimento traz uma lição embutida.
A kriptonita do tesoureiro, segundo ele, é o risco de mercado — não o risco de mercado financeiro, com o qual o tesoureiro convive diariamente, mas o risco setorial, o risco do negócio em si. Quem passa a vida olhando câmbio, juros e commodities pode subestimar variáveis operacionais, comerciais ou regulatórias que decidem o futuro da companhia.
É um ponto delicado porque a rotina da tesouraria é absorvente. O volume de operações, a velocidade das decisões e a necessidade de resposta imediata podem aprisionar o profissional numa lente de curto prazo. E é justamente essa lente que precisa ser ampliada quando se assume a cadeira do resultado.
Toffano e Douglas convergem ainda em uma outra observação. O profissional de tesouraria tende a uma rotatividade menor do que os de FP&A e controladoria — talvez justamente porque olha menos para fora. Menos exposição, menos oportunidades. A receita de saída, então, é deliberada: ser intencional, vocalizar o desejo de transição, buscar exposição.
Relacionamento bancário com método — não com glamour
Há um trecho do episódio que merece destaque para qualquer profissional de tesouraria, em qualquer porte de empresa. Toffano insiste que o relacionamento bancário é, sim, glamouroso — e isso é parte da sedução perigosa. Sentar com um banco para fazer um negócio de um ano é fácil. Construir um relacionamento que sobreviva a três, cinco, dez anos exige outra coisa.
Exige método. Exige enviar balanço, marcar café, mostrar a operação ao analista de crédito, dar visibilidade ao officer quando não há nada para pedir. Exige construir confiança nas pequenas coisas, para que ela esteja disponível nos momentos difíceis. Para empresas de médio porte que ainda não acessam o mercado de capitais, esse é um diferencial competitivo silencioso — e barato.
Douglas reforça com uma confissão de orgulho: tem officers com quem trabalha há dez anos, em empresas que nem existem mais. O ponto é o mesmo. Relacionamento é ativo, e ativo precisa ser cuidado com disciplina.
O caixa decide — e a pandemia provou
Quando perguntado sobre o momento em que percebeu que o caixa, no fim, é o que decide tudo, Toffano não hesita. A pandemia. Foi ali, com mecanismos de colchão de liquidez, revolving credit facilities e relacionamento de crédito bem construído, que a tesouraria mostrou para que serve. Empregos foram preservados, negócios continuaram de pé, e tudo aquilo que parecia teoria virou prática urgente.
É o tipo de aprendizado que não cabe num MBA. É a confirmação de que tesouraria bem feita não é despesa — é seguro. E que o profissional que entende isso carrega, para qualquer cadeira futura, uma sensibilidade que CFOs vindos exclusivamente de controladoria ou FP&A talvez precisem aprender no susto.
Profundidade como projeto de carreira
O fechamento do episódio é quase um manifesto. Toffano olha para a geração que está chegando — ansiosa, exposta à inteligência artificial, tentada por respostas rápidas — e oferece um conselho contraintuitivo: especialize-se. Não queira saber um pouco de tudo. Encontre algo que faça o olho brilhar e vá fundo.
A IA, segundo ele, é poderosa, mas sedutora. Pode entregar uma falsa profundidade, uma resposta que parece completa mas não sustenta cinco porquês de pressão. O profissional que delega o raciocínio perde a capacidade crítica. O que usa como ferramenta de produtividade, ganha alavancagem.
Não ser raso, no fim, é o que separa o profissional que cresce do que estaciona. E talvez seja essa a melhor síntese da conversa: a tesouraria pode até ser a escola, mas é a profundidade — técnica, relacional, de risco e de negócio — que define quem chega ao topo.
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Alta escala, alta gestão: o caixa da proteína animal
O Brasil é o maior exportador de carne bovina do mundo. A América Latina responde por cerca de 40% das exportações globais de proteína animal. Por trás desses números existe uma operação financeira de enorme complexidade — e poucos profissionais conhecem essa realidade tão bem quanto José Scoseria.
Neste episódio do O Caixa é Rei, recebemos José, Vice-Presidente de Finanças da Marfrig, uma das maiores empresas de proteína animal do planeta. Uruguaio radicado no Brasil, com mais de 15 anos na companhia, José construiu uma carreira que atravessa fronteiras, idiomas e cadeias produtivas inteiras — do couro ao bovino, do frango ao suíno.
De controller no Uruguai a VP de Finanças no Brasil
A trajetória de José é um caso real de como carreiras em finanças raramente seguem um roteiro planejado. Começou em consultoria, passou por uma multinacional uruguaia do setor de couro, e em 2009 entrou na Marfrig via aquisição. Desde então, transitou entre Uruguai e Brasil, passando por controladoria, tesouraria e liderança financeira regional até chegar à vice-presidência.
Um ponto central da conversa: a formação generalista que países menores proporcionam. No Uruguai, o profissional de finanças acaba transitando entre FP&A, contabilidade e tesouraria por necessidade. No Brasil, a tendência é a hiperespecialização. José argumenta que ambos os modelos têm méritos — mas que a visão ampla se torna indispensável quando se assume uma cadeira de liderança.
O custo de errar no Brasil é altíssimo
Uma das reflexões mais marcantes do episódio: o ambiente financeiro brasileiro é um dos mais complexos do mundo. Controle de capitais, carga tributária sofisticada, juros elevados e um mercado financeiro com profundidade relevante para a América Latina criam um cenário onde decisões equivocadas de gestão de caixa, alocação de capital e gestão de riscos geram consequências sérias.
Mas José inverte a leitura pessimista: para quem tem estrutura, ferramentas, massa crítica e um time preparado, essa mesma complexidade se transforma em vantagem competitiva. Empresas que operam bem a tesouraria no Brasil têm sucesso em qualquer ambiente do mundo.
Proteína animal: margens sensíveis, ciclos longos e riscos que não param
A conversa desfaz o mito de que a indústria de proteína é simples ou altamente concentrada. José explica as diferenças fundamentais entre as cadeias:
- Bovino: compra spot, ciclo curto, exige agilidade extrema na execução. O profissional precisa arbitrar e reagir ao mercado diariamente.
- Frango e suíno: cadeias integradas verticalmente, ciclos mais longos, exposição a grãos (milho, farelo de soja) e planejamento estrutural que não muda de um dia para o outro.
Cada cadeia demanda uma gestão de riscos diferente, frameworks distintos e perfis profissionais com características próprias. E sobre todas elas pairam riscos sanitários e climáticos que fogem ao controle da empresa — como o recente episódio de gripe aviária no Brasil.
ESG como vantagem competitiva, não apenas compliance
Num momento em que a agenda ESG perdeu parte do holofote global, José traz uma perspectiva pragmática: para a Marfrig, sustentabilidade continua sendo uma alavanca real de acesso a capital e mercados. Há bondholders e investidores — especialmente europeus — que simplesmente não fariam parte da estrutura de capital da companhia sem o posicionamento ativo em sustentabilidade.
Mais do que isso, José defende que o agro brasileiro tem uma história positiva para contar sobre seus avanços ambientais — e que o setor precisa comunicar melhor essas conquistas em vez de ocupar um espaço de publicidade negativa.
O financeiro como protagonista na cadeia produtiva
Olhando para o futuro, José enxerga um papel transformador para a área financeira na integração da cadeia bovina. O produtor rural de pequeno porte, muitas vezes pouco sofisticado financeiramente, toma decisões equivocadas que encarecem seu custo de capital e prejudicam a cadeia inteira.
A oportunidade? Levar ferramentas financeiras que fidelizem o produtor, reduzam seu custo de capital e dinamizem o ciclo produtivo. Não é supply chain finance tradicional — é uma visão estratégica onde finanças se torna protagonista na construção de uma cadeia menos predatória e mais colaborativa.
O conselho para quem está começando
José fecha o episódio com uma provocação para profissionais em início de carreira: nem sempre o caminho "sexy" é a melhor escolha de longo prazo. A agroindústria tem dificuldade de atrair talentos porque compete com tecnologia, mercado financeiro e inteligência artificial pela atenção dos jovens profissionais.
Mas é justamente nesse gap que mora a oportunidade. Setores com menos oferta de talentos oferecem crescimento mais rápido, desafios reais e uma escala de operação difícil de encontrar em outros lugares.
Ou, como diria um velho conselho de carreira: faça o trabalho que ninguém quer fazer.
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Workshop - IA na tesouraria
Em 14 de maio, uma sala cheia de tesoureiros parou para fazer uma pergunta que ainda não cabe em nenhuma planilha: o que acontece quando a inteligência artificial encontra o caixa?
Allan Andrade conduziu duas horas de conversa honesta e prática. Sem slides genéricos, sem promessas de "transformação digital". Apenas demonstrações reais de como a IA já está mudando a rotina da tesouraria — do operacional ao estratégico.
Este é o recap do que rolou. Mas o vídeo completo é onde mora o valor.
O ponto de partida: segurança antes de produtividade
Antes de qualquer prompt, Allan deixou claro: usar IA em tesouraria exige cuidado com dados. A recomendação foi direta — trabalhar sempre com dados fictícios (CNPJs, valores) em testes e alinhar o uso com os times de governança e tecnologia da empresa.
A versão corporativa do Claude entrega capacidade de tokens muito superior à versão gratuita, e essa distinção é fundamental para quem quer rodar análises de fluxo de caixa de verdade.
Memória e Skills: o que separa um chatbot de uma ferramenta de trabalho
Um dos pontos mais importantes do workshop: IA sem configuração responde diferente a cada pergunta. Para padronizar análises de tesouraria, é preciso configurar memória e habilidades específicas (skills).
É a diferença entre perguntar e ter uma resposta confiável.
Os 6 casos práticos demonstrados ao vivo
1. Análise de fluxo de caixa com recomendações estratégicas:
Allan rodou uma simulação que identificou crescimento de 92% no período, analisou liquidez diária e gerou plano de ação dia a dia para julho: adiar CapEx discricionário, antecipar recebimentos e estruturar linha de crédito pré-aprovada.
2. Teste de estresse em 3 cenários:
Queda de 20% nas entradas. Aumento de 15% nas saídas. Atraso médio de 10 dias nos recebimentos. Nenhum cenário gerou saldo negativo em 90 dias — mas o primeiro consumiu 30 mil de caixa. A IA mostrou exatamente onde estava o ponto de ruptura.
3. Conciliação bancária automatizada:
27 lançamentos em 4 bancos, classificados em receitas, despesas operacionais, financeiras e investimentos. O sistema ainda detectou inconsistências — como lançamentos duplicados em datas distintas para o mesmo cliente — e sinalizou itens sem identificação de contraparte.
4. Análise de desvio: realizado vs. orçado:
Desvio anual de 10%. As recomendações que saíram da análise foram cirúrgicas: orçamento base zero em vez de ajustes percentuais, investigar queda de receita por cliente em vez de por linha, renegociar com fornecedores antes da folha, gatilho de revisão mensal em 5% e reavaliar política de dividendos.
5. Modelagem de dívida com estrutura de Swap:
Captação de 1 milhão de euros, taxa de 3,16% ao ano, 8 parcelas fixas de 180 dias. Modelagem completa de swap com taxa pré de 12,73% e contraparte JP Morgan. Custo efetivo e duration calculados a partir dos parâmetros negociados — sem precisar ler contratos completos.
6. Resumo executivo automático para a diretoria:
Encerrou-se 2025 com 4 milhões em caixa, 3,2 abaixo do orçado, com queda de 9% nas receitas. As recomendações que a IA gerou para o board: renegociar com top 10 fornecedores com meta de redução de 4%, cortar 8% em despesas administrativas e marketing, reavaliar política de dividendos. Projeção de recuperação de 78 mil no cenário moderado para 2026.
O que fica
A tesouraria não precisa de mais ferramentas. Precisa de mais lentes.
O que Allan demonstrou não foi mágica. Foi processo: dados estruturados, prompts bem desenhados, contexto configurado. Cada caso prático representou horas (ou dias) de trabalho operacional que viraram minutos de análise estratégica.
E ainda há muito mais — a conversa completa, os prompts em ação, as perguntas da sala, as respostas que só fazem sentido vendo o passo a passo.
E a conversa continua
A comunidade Entre Tesoureiros tem um grupo de WhatsApp ativo onde tesoureiros estão trocando referências, dúvidas e prompts em tempo real. Esse foi só o primeiro workshope o começo de muitos.
Obrigado ao Allan Andrade pela condução e à AFP Brasil pela parceria.
The Treasurer's Voice
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O hábito simples que diferencia profissionais de Finanças.
Fala Tesoureiro!
Existe um hábito silencioso que separa quem apenas executa de quem se torna referência na área financeira:
Acompanhar os números mesmo quando ninguém solicitou.
Quem olha indicadores apenas quando pedem relatório está reagindo. Corre atrás da informação. Explica o que já aconteceu.
Quem acompanha constantemente, antecipa. Enxerga tendências. Chega com cenário, impacto e proposta de ação.
Se você quer evoluir na área financeira, acompanhe diariamente:
- Saldo de caixa
- Contas a vencer
- Nível de inadimplência
- Necessidade futura de caixa
- Custos financeiros e impacto no resultado
Mas existe um segundo diferencial tão importante quanto o acompanhamento:
A busca constante por conhecimento.
O mercado muda. As ferramentas evoluem. A tecnologia avança.
Hoje, dominar sistemas, explorar novas soluções, entender automações e aplicar inteligência artificial na rotina financeira deixou de ser diferencial, passou a ser necessidade.
O profissional que cresce é aquele que:
- Atualiza seus conhecimentos
- Testa novas ferramentas
- Questiona processos antigos
- Usa tecnologia para ganhar eficiência e análise
A combinação é poderosa:
- Disciplina nos números
- Atualização constante
- Uso inteligente de tecnologia
Isso muda sua forma de trabalhar.
Você passa a chegar com respostas antes das perguntas. Com análises mais profundas. Com mais segurança nas decisões.
Na área financeira, visibilidade gera confiança. Antecipação gera protagonismo. E atualização constante mantém sua relevância.
Quem antecipa e evolui, ganha espaço.
Se esse conteúdo faz sentido para você, acompanhe o Fala, Tesoureiro!
Toda semana, reflexões práticas sobre Tesouraria Estratégica, tecnologia e crescimento na carreira financeira.

KPIs da Tesouraria — o que realmente importa medir
Fala, Tesoureiros!
Vamos direto ao ponto: indicadores financeiros mostram a verdade que o discurso não mostra.
Enquanto algumas áreas trabalham com percepções, a Tesouraria trabalha com fatos. E fatos se traduzem em KPIs.
Uma empresa pode faturar bem, ter lucro, crescer… e mesmo assim quebrar.
A diferença entre desorganização e gestão estratégica está em como (e o que) a empresa mede.
Os principais KPIs da Tesouraria
1. Ciclo de Conversão de Caixa (CCC)
Quanto tempo a empresa leva entre pagar e receber?
Esse indicador revela a velocidade de transformação do capital investido em caixa novamente. Em outras palavras: o dinheiro está girando rápido ou está travado na operação?
🔍 Fórmula simplificada:
Prazo Médio de Recebimento + Prazo Médio de Estoque – Prazo Médio de Pagamento
Quanto menor o ciclo, menos dependência de capital de terceiros.
2. Liquidez Corrente
A empresa consegue pagar o que vence no curto prazo?
Se a liquidez é inferior a 1, o alerta acende: há mais obrigações do que recursos disponíveis.
Liquidez não olha para lucro. Liquidez olha para supervivência de caixa.
3. Endividamento e Custo Médio da Dívida
Ter dívida não é problema. Ter dívida cara é.
Aqui temos duas frentes de análise:
- Endividamento: o quanto a dívida pesa sobre o resultado.
- Custo Médio da Dívida: qual a taxa efetiva considerando todos os tipos de empréstimos.
A dívida barata financia crescimento. A dívida cara financia urgência.
4. Sobra ou Falta de Caixa Projetada
Não se administra caixa olhando para o passado.
Fluxo de caixa histórico não paga contas futuras.
A projeção mostra, com antecedência:
- Se vai faltar caixa → renegocia, reprioriza, capta com planejamento.
- Se vai sobrar caixa → investe, reduz custo financeiro, acelera estratégia.
Caixa é poder de decisão.
A verdade que muitos ignoram
Não medir os KPIs certos tem consequências:
- Não medir o ciclo? → caixa travado na operação.
- Não medir liquidez? → risco de atraso ou endividamento desnecessário.
- Não medir custo da dívida? → dinheiro indo embora em juros.
- Não projetar caixa? → decisões tardias e reativas.
O que não é medido, não é gerido. E o que não é gerido, é perdido.
Conclusão
Tesouraria não é o setor que “paga e recebe”. Tesouraria é o setor que antecipa decisões e protege a empresa.
Profissionais que dominam KPIs deixam de ser operacionais e se tornam estratégicos.
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Fechamento financeiro: você está analisando resultados ou apenas fechando o mês?
Todos os dias eu converso com CFOs, Diretores (as), Gerentes, Coordenadores (as) e Analistas Financeiros. E quase sempre, quando pergunto:
“Quantos dias o fechamento leva para acontecer na sua empresa?”
A resposta é parecida em quase todos os casos:
“Levo de 15 a 20 dias para fechar o mês.”
Agora, pare e pense comigo. Um mês tem, em média, 23 a 24 dias úteis. Isso quer dizer que mais de 80% do tempo da área financeira é consumido em um processo repetitivo, que acontece mês após mês.
E o mais intrigante: muitos profissionais nem sabem exatamente quanto tempo o fechamento leva, porque não sobra tempo nem para medir.
Quando o processo consome a análise
O maior problema não está no fechamento em si, mas no que ele rouba: tempo de análise. O foco vai todo para montar relatórios, cruzar planilhas e conferir dados. E o resultado? Pouco tempo para entender o que os números realmente estão dizendo.
Não é falta de competência. É falta de estrutura, integração e visibilidade.
Enquanto o time luta para “fechar o mês”, o negócio segue avançando e as decisões estratégicas acabam sendo tomadas com base em percepções, não em dados.
O novo papel da Tesouraria
A Tesouraria moderna não pode ser apenas operacional. Com automação, conciliação inteligente e dashboards integrados, é possível encurtar o ciclo de fechamento e transformar informação em decisão.
Quando a liderança tem visibilidade do caixa e dos resultados em tempo real, o fechamento deixa de ser o fim do processo e passa a ser o começo da análise.
A virada de chave
Modernizar o fechamento não é apenas uma questão de eficiência: é libertar o tempo da área financeira para pensar, interpretar e antecipar o que vem pela frente.
Quanto menos tempo gasto “fechando o mês”, mais tempo sobra para abrir o olhar estratégico do negócio.
Section 04
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