5 Produtos de Renda Fixa que Toda Tesouraria Deveria Dominar: LFT, CDB, LCA, LCI e FI-Infra
Guia prático de LFT, CDB, LCA, LCI e FI-Infra para tesouraria corporativa. Compare liquidez, risco, tributação e saiba alocar com estratégia.

Gerir o caixa excedente de uma empresa não é simplesmente "aplicar o que sobra". A escolha entre instrumentos de renda fixa impacta diretamente a liquidez operacional, a carga tributária e até o custo de oportunidade de capital da companhia.
Mesmo assim, muitas tesourarias corporativas ainda concentram quase tudo em CDB de bancão com liquidez diária, sem avaliar alternativas que poderiam entregar mais retorno ou vantagem fiscal sem comprometer a segurança.
Este guia prático compara cinco dos principais produtos de renda fixa usados por tesourarias no Brasil. O objetivo é ir além da teoria e ajudar na decisão real de alocação.
Cada produto é analisado sob quatro critérios que importam para o tesoureiro: liquidez, risco de crédito, tributação e encaixe estratégico no portfólio corporativo.
Os 5 produtos na prática
1. LFT (Tesouro Selic): a reserva de liquidez soberana
A LFT, oficialmente chamada de Tesouro Selic, é o título público federal pós-fixado indexado à taxa Selic. Para a tesouraria, funciona como a reserva de liquidez mais segura do mercado brasileiro, já que carrega risco soberano e tem liquidez diária garantida pelo Tesouro Nacional.
A grande vantagem é a previsibilidade. O título acompanha a Selic sem volatilidade de marcação a mercado relevante, o que elimina surpresas no balanço. A desvantagem? A rentabilidade líquida pode ficar abaixo de alternativas privadas, especialmente quando o spread de crédito está comprimido.
Para tesourarias que precisam de um "colchão" de segurança com resgate imediato, a LFT continua sendo referência. Recomenda-se manter entre 20% e 40% do caixa aplicado nesse instrumento, dependendo da volatilidade do fluxo de caixa da empresa.
2. CDB: flexibilidade que exige atenção ao emissor
O Certificado de Depósito Bancário é provavelmente o produto mais popular nas tesourarias brasileiras. Emitido por bancos, oferece flexibilidade de prazo e indexador (% do CDI, CDI + spread, IPCA+). A cobertura do FGC até R$ 250 mil por CPF/CNPJ por instituição é um fator de segurança, mas, para volumes corporativos maiores, o risco do emissor precisa ser avaliado com cuidado.
O ponto de atenção é que nem todo CDB tem liquidez diária. CDBs com prazos mais longos costumam pagar spreads maiores, mas travam o recurso. A tesouraria precisa mapear bem os vencimentos para não criar descasamento com obrigações de curto prazo.
Comparado à LFT, um CDB de banco de primeira linha com liquidez diária normalmente paga algo entre 97% e 102% do CDI, o que pode representar um ganho incremental pequeno, mas consistente. Já CDBs de bancos médios podem chegar a 110%-120% do CDI, com risco de crédito proporcionalmente maior.
3. LCA: isenção fiscal que faz diferença no retorno líquido
A Letra de Crédito do Agronegócio é isenta de Imposto de Renda para pessoas físicas, mas para pessoas jurídicas a isenção não se aplica. Esse é um ponto que gera confusão. Para a tesouraria corporativa, a LCA é tributada normalmente pela tabela regressiva do IR.
Ainda assim, LCAs de bons emissores podem oferecer taxas competitivas frente a CDBs equivalentes. Isso acontece porque o funding do agro recebe incentivos regulatórios, e parte desse benefício pode ser repassado na taxa. O mesmo raciocínio vale para a LCI (Letra de Crédito Imobiliário).
A liquidez costuma ser o calcanhar de Aquiles. A maioria das LCAs tem carência mínima de 90 dias (regra do CMN), o que limita seu uso para caixa operacional de curtíssimo prazo. Para reservas de médio prazo, no entanto, podem ser uma alternativa interessante.
4. LCI: prima da LCA com dinâmica própria
A Letra de Crédito Imobiliário segue lógica parecida com a LCA, mas é lastreada em créditos imobiliários. A isenção de IR para PJ também não se aplica, então o atrativo para tesourarias está mais na taxa oferecida e na diversificação de lastro do que em benefício fiscal direto.
Um ponto relevante é que, após as mudanças regulatórias de 2024 do CMN, os prazos mínimos de carência de LCIs foram ajustados, o que impactou a liquidez desses papéis. A tesouraria precisa acompanhar essas mudanças de perto para não ser surpreendida.
Na prática, LCIs funcionam bem para alocações de 6 a 12 meses, quando a empresa tem previsibilidade de que o recurso não será necessário antes do vencimento. Combinadas com LCAs, ajudam a diversificar o risco de emissor dentro do portfólio.
5. FI-Infra: o diferencial tributário real para PJ
Os Fundos de Investimento em Infraestrutura (FI-Infra) são, talvez, o instrumento mais subutilizado pelas tesourarias corporativas. Regulamentados pela Lei 12.431/2011, esses fundos investem em debêntures incentivadas de projetos de infraestrutura e oferecem isenção de IR tanto para PF quanto para PJ. Esse é o grande diferencial.
Um FI-Infra que entrega IPCA+6% ao ano, por exemplo, equivale, em termos líquidos, a um CDB que precisaria pagar IPCA+8% ou mais para empatar. Essa diferença pode representar centenas de milhares de reais por ano em carteiras de médio porte.
O risco, naturalmente, é diferente de um título bancário. A carteira do fundo é composta por debêntures de projetos específicos (rodovias, energia, saneamento), e o investidor assume risco de crédito privado e alguma volatilidade de cota. A liquidez varia conforme o fundo, mas muitos têm cotas negociadas em bolsa (listados na B3), o que oferece uma saída razoável.
Como montar a alocação: um framework para o tesoureiro
Não existe receita única. Mas um framework básico ajuda a organizar o raciocínio antes de definir a alocação do portfólio de investimentos da tesouraria.
Camada 1: Liquidez imediata (0 a 30 dias)
Reservar entre 30% e 50% do caixa aplicado em LFT e CDB com liquidez diária de bancos de primeira linha. Essa camada cobre obrigações operacionais, folha de pagamento e surpresas de caixa.
Camada 2: Reserva tática (30 a 180 dias)
Alocar entre 25% e 40% em CDBs de prazo curto, LCAs e LCIs com carência compatível. O objetivo é capturar um spread adicional sem comprometer a capacidade de reação da tesouraria.
Camada 3: Rendimento estrutural (180+ dias)
Destinar de 15% a 30% para FI-Infra, CDBs de prazo mais longo e eventualmente fundos de crédito privado. Aqui o benefício fiscal do FI-Infra costuma fazer mais diferença, já que a alíquota de IR na tabela regressiva só chega a 15% após 720 dias.
Erros comuns que reduzem o retorno da tesouraria
Concentrar tudo num único banco por comodidade é o erro mais frequente. Além de aumentar o risco de contraparte, elimina o poder de negociação de taxas. Comparar cotações entre pelo menos três instituições é uma prática básica que muitas tesourarias negligenciam.
Outro equívoco é ignorar a tributação no cálculo de retorno. Comparar um CDB pré-fixado de 13% com um FI-Infra de IPCA+6% sem considerar o IR leva a decisões erradas. O retorno líquido é o único número que importa na comparação.
Por fim, não revisar a alocação periodicamente. Mudanças na Selic, no spread de crédito e na regulação (como as alterações recentes em LCI/LCA) podem tornar uma alocação ótima em defasada em poucos meses.
Como a Datanomik facilita essa gestão
Acompanhar vencimentos, comparar taxas líquidas e rebalancear a carteira entre múltiplos bancos e produtos exige visibilidade centralizada. É exatamente isso que a Datanomik entrega para tesourarias corporativas.
Com conectividade bancária integrada, a plataforma consolida posições de diferentes instituições em uma visão única, permitindo que o tesoureiro compare rentabilidades líquidas, monitore vencimentos e identifique oportunidades de realocação sem depender de planilhas manuais ou de relatórios fragmentados de cada banco.
Além disso, os relatórios financeiros automatizados da Datanomik permitem acompanhar a performance do portfólio em tempo real, com métricas ajustadas por tributação e risco. Para tesourarias que querem profissionalizar a gestão de renda fixa, essa visibilidade integrada é o ponto de partida.



