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Multibanco: como unificar todas as contas bancárias da sua empresa em um só lugar

Saiba como a gestão multibanco centraliza suas contas em tempo real, reduz erros e transforma a visibilidade financeira da sua tesouraria.

Multibanco: como unificar todas as contas bancárias da sua empresa em um só lugar

Imagine precisar acessar cinco portais bancários diferentes, consolidar extratos em planilhas e ainda tentar enxergar o saldo total da empresa em tempo real. Para a maioria dos tesoureiros brasileiros, esse é o dia a dia. E o custo disso não é só tempo: é visibilidade perdida, decisões atrasadas e risco desnecessário.

A gestão multibanco surge como resposta direta a esse problema. Ao centralizar todas as contas — independentemente do banco — em uma única plataforma, a tesouraria ganha o que mais precisa: uma visão consolidada, precisa e em tempo real da posição de caixa da empresa.

O que é a gestão multibanco?

Gestão multibanco é a capacidade de conectar e visualizar simultaneamente todas as contas bancárias de uma empresa em diferentes instituições financeiras a partir de um único ambiente. No Brasil, isso se tornou viável graças ao Open Finance, regulamentado pelo Banco Central.

Por que isso importa para a tesouraria?

Empresas de médio e grande porte no Brasil tipicamente operam com 3 a 10 bancos. Sem centralização, o tesoureiro precisa de horas para montar uma posição de caixa consolidada. Com multibanco, esse processo se torna instantâneo.

Benefícios concretos

  • Visibilidade total em tempo real: saldo consolidado de todas as contas automaticamente.
  • Conciliação bancária mais rápida: de dias para horas ou minutos.
  • Melhor previsão de fluxo de caixa: histórico unificado gera previsões mais precisas.
  • Redução de erros operacionais: menos planilhas manuais, menos risco humano.

Como implementar

O primeiro passo é mapear todas as contas ativas da empresa, incluindo filiais e SPEs. Em seguida, escolha uma plataforma com integração via Open Finance que cubra os bancos que sua empresa utiliza.

Open Finance como habilitador

Com Open Finance, a conexão entre bancos é padronizada e segura. Uma empresa pode conectar Itaú, Bradesco, Santander e fintechs em uma única plataforma, com dados no mesmo formato e em tempo real.

Conclusão

A centralização multibanco é uma necessidade presente para qualquer empresa que queira operar com eficiência financeira. A Datanomik conecta todas as suas contas em tempo real via Open Finance. Conheça a plataforma.

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6 min
|
07.04.2026

Selic em Compasso de Espera: Como a Guerra no Oriente Médio Redesenha a Gestão de Caixa das Tesourarias Brasileiras

Por

O novo cenário macroeconômico: guerra, petróleo e juros

O agravamento do conflito no Oriente Médio em 2026 — com o fechamento parcial do Estreito de Ormuz, por onde transita cerca de 20% do petróleo global — redesenhou as expectativas para a política monetária brasileira. O barril de petróleo disparou, a inflação importada ganhou tração e o Banco Central do Brasil se viu obrigado a recalibrar o ritmo dos cortes na taxa Selic.

Na última reunião do Copom, em março de 2026, o corte foi de apenas 0,25 ponto percentual — reduzindo a Selic de 15% para 14,75% ao ano —, metade do que o mercado projetava antes da escalada bélica. O comunicado foi claro: as incertezas externas, especialmente o choque energético oriundo do Oriente Médio, justificavam maior cautéla. O Boletim Focus mais recente elevou a projeção da Selic terminal para 12,13% ao final de 2026, enquanto a estimativa de inflação (IPCA) subiu para 4,36%.

Por que o Estreito de Ormuz importa para a tesouraria brasileira

O impacto do conflito sobre o Brasil vai muito além do preço na bomba de combustível. O país importa quase metade dos fertilizantes utilizados na agricultura por rotas que cruzam o Estreito de Ormuz. Considerando que o Brasil responde por cerca de 60% das exportações globais de soja e é um dos maiores exportadores de milho e açúcar, uma interrupção prolongada no fornecimento de insumos agrícolas pode comprometer safras inteiras — com reflexos diretos no câmbio, na balança comercial e na gestão de caixa corporativa.

Paralelamente, o prêmio de risco para mercados emergentes aumentou. Países com déficits gêmeos enfrentam maior pressão, embora o Brasil se mostre relativamente mais resiliente graças às suas taxas de juros reais elevadas e à produção doméstica de petróleo.

Os desafios imediatos para a gestão de caixa

Incerteza na curva de juros: Com o Copom sinalizando que pode rever o ciclo de baixa a qualquer momento, a previsibilidade do custo de financiamento despencou. Tesourarias que planejavam capturar a queda da Selic para alongar dívidas precisam agora trabalhar com cenários múltiplos.

Pressão sobre o câmbio e hedging: A alta do petróleo e o aumento da aversão ao risco global pressionam o real. Para empresas com exposição cambial, o custo do hedge se elevou significativamente. A gestão ativa de posições em derivativos cambiais tornou-se essencial.

Liquidez e alocação de caixa: Com a Selic ainda em patamares elevados, a remuneração do caixa em aplicações pós-fixadas permanece atrativa. No entanto, a volatilidade exige maior atenção à liquidez imediata. Tesourarias precisam equilibrar a captura de rendimento com a manutenção de colchões de liquidez robustos.

Estratégias recomendadas para tesourarias

  • Análise de cenários e stress testing: rodar simulações com pelo menos três cenários para a Selic, cruzando com projeções de câmbio e commodities.
  • Revisão da política de hedge: reavaliar as razões de cobertura para exposições cambiais, priorizando instrumentos com maior flexibilidade como opções.
  • Diversificação de fontes de financiamento: reduzir a dependência de uma única linha de crédito, explorando debêntures, CRAs ou operações estruturadas.
  • Monitoramento contínuo e governança: estabelecer comitês de tesouraria com frequência quinzenal enquanto a crise persistir.

Perspectivas: o que esperar nos próximos meses

O consenso de mercado aponta para uma Selic entre 12% e 12,5% ao final de 2026, mas esse cenário está condicionado a uma desescalada no Oriente Médio. Se o conflito se prolongar, o Banco Central pode ser forçado a interromper o ciclo de cortes, mantendo os juros em patamares restritivos por mais tempo.

Para as tesourarias, a mensagem é inequívoca: flexibilidade e preparo para múltiplos cenários deixaram de ser diferenciais e passaram a ser pré-requisitos. O ambiente geopoítico redefine o próprio framework de gestão de risco que sustenta as decisões de caixa.

Dados de mercado referentes a abril de 2026. Não constitui recomendação de investimento.