3° Workshop - IA para Tesouraria - Da Planilha ao agente

Por décadas, o trabalho da tesouraria foi marcado por um ciclo que todo profissional da área conhece bem: entrar no banco, entrar no ERP, entrar no TMS, copiar dados, colar em planilha, consolidar, e só então — depois de tudo isso — começar a analisar.
O tempo gasto nesse processo não é pouco. E é exatamente aí que a inteligência artificial muda o jogo.
No 3º workshop da série IA para Tesouraria, Allan Andrade, gerente de tesouraria da Datanomik com mais de 16 anos de experiência na área, mostrou na prática como agentes de IA e conectores MCP podem assumir a parte operacional desse ciclo — deixando o profissional livre para o que realmente gera valor: analisar, interpretar e decidir.
O problema que todo tesoureiro conhece
Antes de mostrar a solução, Allan foi direto ao ponto: grande parte do tempo das equipes de tesouraria ainda é consumido coletando informações, baixando arquivos, cruzando dados entre sistemas e preparando tudo isso para que a análise possa começar.
"Para só depois você conseguir parar e falar: agora vou analisar", como ele descreveu. Um ciclo que se repete diariamente — e que tem um custo alto em tempo e em erros operacionais.
Agente de IA e MCP: o que são e como funcionam juntos
Para explicar os dois conceitos centrais do workshop, Allan usou uma analogia simples e eficaz.
Imagine um analista financeiro altamente capacitado, trancado em uma sala com um computador sem acesso a nenhum sistema. Ele sabe exatamente o que fazer — mas não consegue executar, porque não tem como chegar até as informações.
O agente de IA é esse analista. O MCP — Model Context Protocol — é o que dá acesso a ele: a conexão padronizada que liga a inteligência artificial aos sistemas externos, sejam bancos, ERPs, TMS, e-mail, calendário ou plataformas de comunicação.
Juntos, funcionam assim: você define o objetivo em linguagem natural. O agente planeja, decide quais passos executar, consulta os sistemas via MCP, organiza as informações e entrega um resultado estruturado. Tudo isso sem que você precise fazer nada no meio do caminho.
A máquina prepara. O profissional decide.
Um ponto que Allan fez questão de reforçar: o agente não toma decisões. Ele prepara.
"A avaliação continua sendo você. A decisão continua sendo você", ele disse. "A máquina prepara e o profissional decide — esse é o novo modelo das tesourarias financeiras."
Isso muda o perfil do trabalho, não o papel do profissional. O tesoureiro deixa de ser operacional para ser analítico. A IA elimina boa parte do trabalho de coleta e consolidação — não a necessidade de quem entende o que fazer com os dados.
Na prática: um agente que faz tudo em um único prompt
A parte mais impactante do workshop foi a demonstração ao vivo. Allan gerou um único prompt pedindo ao agente que:
- Buscasse a posição total de caixa na plataforma da Datanomik
- Criasse um evento no Google Calendar com a data do próximo workshop
- Enviasse um e-mail com o dashboard de posição para o grupo do workshop
- Mandasse uma mensagem no Slack para a equipe comunicando o próximo encontro
O agente executou tudo em sequência, acessando cada sistema via MCP, sem nenhuma intervenção manual. Gmail aberto, e-mail redigido e enviado, evento criado no calendário, mensagem disparada no Slack — enquanto Allan apenas acompanhava o processo acontecer.
Chat, Cowork e Code: entendendo as três superfícies do Claude
Allan também aproveitou para explicar a diferença entre as três formas de interagir com o Claude, usando outra analogia — desta vez, uma cozinha de restaurante:
O Chat é o consultor gastronômico que você chama por telefone. Ele orienta, explica, pensa junto — mas não entra na sua cozinha nem mexe nos seus arquivos.
O Cowork é o chef que entra na sua cozinha, usa seus ingredientes e prepara o prato — enquanto você aprova cada etapa. É aqui que os conectores e agentes operam, acessando sistemas reais e entregando resultados concretos.
O Code é o chef técnico da cozinha industrial — ele constrói as integrações, mexe no código e prepara a infraestrutura mais pesada por trás de tudo.
Para a maioria das aplicações práticas de tesouraria, o Cowork é o ambiente mais relevante.
Segurança e governança: o que fazer quando a empresa bloqueia
Uma dúvida frequente apareceu no chat: e quando a empresa não libera acesso a ferramentas de IA?
A resposta de Allan foi pragmática: comece com dados fictícios. Substitua as informações reais da empresa por dados simulados, aplique o mesmo processo e aprenda a usar a tecnologia. Quando a governança corporativa evoluir, você já estará um passo à frente.
"Não se deixe travado por isso", ele disse. "Mas sempre utilize dados fictícios enquanto a plataforma não tem a segurança necessária dentro da companhia."
O que muda de verdade
Os ganhos que Allan listou vão além da produtividade:
- Menos erros operacionais: quanto menos cópia e cola entre sistemas, menor a chance de falha humana
- Padronização: processos que antes dependiam de cada pessoa executar de um jeito diferente passam a seguir um fluxo consistente
- Foco no que gera valor: análise de liquidez, planejamento financeiro, tomada de decisão , esse é o trabalho que fica
O próximo workshop da série vai entrar justamente no tema mais pedido pela comunidade: fluxo de caixa. Como usar IA para estruturar projeções confiáveis — da coleta de dados à decisão — sem depender de processos manuais.
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