5 ações que sua tesouraria deve tomar enquanto Brasil e EUA negociam tarifas nos próximos 30 dias
Lula e Trump abriram janela de 30 dias para resolver tarifas. Veja 5 ações práticas para proteger o caixa da sua empresa nesse período.

Na última quinta-feira (7 de maio), os presidentes Lula e Trump se reuniram por mais de três horas na Casa Branca e estabeleceram um grupo de trabalho bilateral com prazo de 30 dias para apresentar uma proposta conjunta sobre as tarifas comerciais impostas pelos EUA ao Brasil. Segundo reportagem da CNN Brasil, a pauta incluiu o Pix, minerais críticos e a investigação baseada na Seção 301 — mecanismo que já embasa tarifas de 10% a 50% sobre produtos brasileiros.
Enquanto isso, o real opera nos menores patamares de dólar em 2026: a moeda americana foi negociada a R$ 4,89 nesta semana, segundo dados do Investing.com, com queda acumulada de mais de 10% no ano. A CNN Brasil reportou que a XP reduziu sua estimativa de câmbio para R$ 5,00 no fim do ano, enquanto BTG Pactual e BNP Paribas projetam R$ 4,90.
Para o gestor de tesouraria, esse cenário cria um paradoxo operacional: a incerteza tarifária exige proteção, mas o real forte muda completamente o cálculo do hedge. Abaixo, listamos as 5 ações práticas que a sua tesouraria precisa executar agora — enquanto o relógio de 30 dias corre.
#1 — Mapeie sua exposição real ao comércio bilateral com os EUA
Antes de qualquer decisão de hedge ou reposicionamento de caixa, é preciso ter clareza cirúrgica sobre o quanto a sua empresa está exposta. A Exame detalhou que cerca de 45% das exportações brasileiras para os EUA hoje estão isentas de sobretaxa, mas os demais 55% enfrentam alíquotas que vão de 10% (Seção 122, temporária) a 25-50% (Seção 232, aço e alumínio).
Na prática, isso significa que o impacto varia radicalmente de setor para setor. Siderúrgicas, exportadoras de carnes e fabricantes de manufaturados estão na linha de frente. Já empresas do agro com foco em China e Oriente Médio podem sentir efeitos secundários — via custo de insumos importados dos EUA ou pela cadeia logística. Sua tesouraria precisa cruzar o mapa de recebíveis e payables em dólar com a lista de NCMs afetados para dimensionar o risco concreto
Se sua empresa opera com múltiplas contas bancárias e fluxos em moeda estrangeira distribuídos entre bancos diferentes, consolidar essa visão manualmente é um convite ao erro. Uma plataforma de conectividade bancária que centralize posições em tempo real é o primeiro passo para mapear essa exposição de forma confiável.
#2 — Reavalie a estratégia de hedge cambial com o real a R$ 4,89
O dólar abaixo de R$ 5 muda a equação de proteção cambial para exportadores e importadores. Conforme reportou a InfoMoney, o Goldman Sachs projeta dólar a R$ 4,90 em três meses, sustentado pelo carry trade elevado e pela posição do Brasil como "vencedor relativo" no contexto geopolítico. Mas atenção: a mesma casa alerta que o balanço de riscos ficou mais simétrico após o rali recente, abrindo espaço para reversões.
Para exportadores, travar câmbio a R$ 4,89 pode parecer pouco atrativo — mas se as negociações de tarifas fracassarem e o mercado precificar risco de retaliação, o dólar pode subir rapidamente. Para importadores, o real forte é uma janela de oportunidade para antecipar pagamentos ou alongar contratos de fornecimento. Em ambos os casos, a tesouraria não pode operar no escuro: é preciso ter cenários modelados com diferentes desfechos para os 30 dias de negociação.
A gestão ativa do portfólio de investimentos também entra na equação: com a Selic em 14,75% e o real apreciando, há oportunidade para realocar caixa entre indexadores e prazos — mas só com visibilidade consolidada das posições.
#3 — Prepare cenários de fluxo de caixa para 3 desfechos tarifários
O Planalto trabalha com a expectativa de que, durante o período de negociação, não haverá novas tarifas. Mas a CNN Brasil reportou que o governo "ainda vê risco" de nova taxação mesmo após o encontro. O USTR tem prazo até julho para concluir a investigação da Seção 301, e o resultado pode sair antes.
Para a tesouraria, o exercício é construir ao menos três cenários: (1) acordo com remoção parcial das tarifas e encerramento da Seção 301 — cenário otimista que destravaria receitas de exportação e reduziria custos de importação; (2) manutenção do status quo com tarifa de 10% e sem escalada — cenário base que mantém a pressão atual; (3) fracasso das negociações com nova rodada de tarifas de até 30%, como sinalizou a CNN Brasil com base em fontes de Washington.
Cada cenário exige projeções diferentes de entrada e saída de caixa, necessidade de linhas de crédito de contingência e ajustes no capital de giro. Quem não tem uma projeção automatizada de fluxo de caixa com capacidade de simular cenários está voando às cegas num dos momentos mais voláteis do ano.
#4 — Monitore o custo de insumos importados dos EUA (o risco invisível)
A cobertura de mídia se concentra no lado das exportações, mas há um risco menos visível e igualmente relevante: o custo de insumos e bens de capital importados dos EUA. O Brasil importa combustíveis prontos, máquinas agrícolas de alta tecnologia, componentes eletrônicos e farmacêuticos dos americanos. Uma retaliação brasileira — já prevista na Lei de Reciprocidade aprovada pelo Congresso — poderia encarecer esses itens.
Para setores como o agro e a construção civil, isso entra diretamente no custo de produção e comprime margens. A Aprosoja já alertou que o encarecimento de insumos como diesel e nafta americanos "elevará os custos de produção e poderá impactar os preços dos alimentos". A tesouraria precisa incluir esse cenário de custo nos modelos — não apenas o impacto sobre receitas de exportação.
Empresas com operações em setores sensíveis, como energia e agronegócio, devem reforçar o monitoramento de preços de contratos e revisar cláusulas de reajuste com fornecedores que dependem de insumos americanos.
#5 — Não paralise decisões — use a janela de real forte para otimizar a estrutura de caixa
O pior erro que a tesouraria pode cometer neste momento é paralisar. O real valorizado — melhor desempenho entre moedas globais em 2026, conforme a InfoMoney — cria oportunidades concretas: antecipar pagamentos de dívida em dólar, renegociar contratos de fornecimento internacional, ou simplesmente capturar o diferencial de juros reais (9,33% ao ano, segundo a Lev Intelligence, a segunda maior taxa real do mundo).
A Amcham Brasil e a CNI reforçaram no Encontro Empresarial BR-US 2026 que a diversificação de mercados deve ser estratégia permanente, não emergencial. Para a tesouraria, isso se traduz em revisar a concentração de recebíveis por mercado e moeda, e garantir que o caixa esteja preparado para absorver redirecionamentos de fluxo comercial.
O cenário é complexo, mas não inédito. O que diferencia as tesourarias que passam por momentos como este sem solavancos é a capacidade de tomar decisões rápidas com dados consolidados — não com planilhas defasadas espalhadas entre cinco bancos diferentes.
Conclusão: 30 dias é pouco tempo — para quem não tem visibilidade
O encontro Lula-Trump abriu uma janela de negociação, mas não resolveu nada ainda. Os próximos 30 dias vão definir se o Brasil enfrenta uma escalada tarifária via Seção 301 — com alíquotas de até 30% — ou se consegue um alívio que mude o cenário para exportadores e importadores. De qualquer forma, o real a R$ 4,89 e a Selic a 14,75% criam um ambiente em que cada decisão de caixa tem peso amplificado.
A Datanomik endereça exatamente esse desafio. Com conectividade bancária em tempo real, visão consolidada de posições, relatórios automáticos e gestão integrada de investimentos, a plataforma dá ao tesoureiro a capacidade de reagir a cenários como este com velocidade e precisão — sem depender de consolidações manuais ou informações fragmentadas. Quando o relógio está correndo, visibilidade não é luxo: é infraestrutura.



